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Pareceres do MP dividem opiniões sobre o futuro de Cachoeirinha, mas quem decide ainda não decidiu






Pareceres do MP dividem opiniões sobre o futuro de Cachoeirinha, mas quem decide ainda não decidiu

Por André Guterres - Info do Vale e Cachoeirinha Notícias 24 Horas

Os adversários de Jussara e do Mano do Parque que não aceitaram o voto popular e o resultado das urnas em 12 de abril foram à Justiça Eleitoral, onde protocolaram quatro Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na tentativa de reverter a vitória e provocar mais uma eleição suplementar em Cachoeirinha. Passados quase três meses, os processos seguem em aberto no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), e, neste fim de semana, a disputa ganhou um capítulo novo, que confundiu boa parte de quem acompanha o assunto pelas redes sociais.

Circularam dois documentos do Ministério Público Eleitoral com conclusões opostas. Um recomenda manter a cassação da chapa. O outro recomenda o contrário. Se você viu os prints (captura de imagem) e ficou sem entender qual vale, a explicação é mais simples do que parece: são processos diferentes, sobre fatos diferentes, e nenhum dos dois é a palavra final.



Dois processos, duas histórias, nenhuma decisão tomada


O parecer que gerou mais repercussão é o do processo 0600046-94.2026.6.21.0143, assinado em 3 de julho de 2026. Nele, a Procuradoria Regional Eleitoral defende que o TRE-RS mantenha a sentença de primeiro grau que decretou a cassação dos diplomas da prefeita e do vice, além de oito anos de inelegibilidade para Jussara e multa para ambos.

Só que esse não é o único processo em jogo. Há outro, o 0600082-39.2026.6.21.0143, com parecer assinado em 25 de junho de 2026, que trata de uma AIJE distinta, alegando abuso de poder político e econômico. Nesse caso, a Procuradoria Regional Eleitoral entendeu que as provas reunidas não comprovam aliciamento de eleitor, distribuição de vantagem ou qualquer ordem vinda dos próprios candidatos vencedores.

Dois pareceres, duas conclusões, dois processos que não se misturam. Usar o resultado de um para prever o do outro é como comparar o placar de dois jogos diferentes e achar que o campeonato já acabou.

O ponto que precisa ficar claro, principalmente para quem só viu o print e já foi comemorar novas eleições suplementares é que parecer do Ministério Público é opinião técnica, não sentença. Quem decide o mérito dos recursos é o colegiado de desembargadores do TRE-RS, depois de analisar a defesa apresentada pela chapa e o conteúdo de cada parecer. E mesmo depois do julgamento, ainda cabe recurso a instâncias superiores. Ou seja, a novela está longe do último capítulo. E ao contrário do que estão comentando, Jussara e Mano seguem na prefeitura enquanto não sair a decisão em definitivo.


O município não aguenta mais essa incerteza


Aqui vai uma opinião pessoal, e friso que é pessoal: Cachoeirinha não aguenta mais viver de eleição suplementar. Em um período em que deveriam ter ocorrido apenas duas eleições regulares, os eleitores de Cachoeirinha já perderam as contas de quantas vezes voltaram às urnas por decisão judicial. Cada nova disputa é dinheiro público gasto, gestão interrompida, projeto engavetado e população sem saber quem vai estar na cadeira do Executivo daqui a seis meses.

E tem uma conta que ninguém está fazendo direito: mais de 40 mil pessoas simplesmente não foram votar na última eleição suplementar, por pura insatisfação com esse círculo vicioso. Fica o alerta, porque questionar o resultado das urnas toda vez que alguém perde só vai empurrar ainda mais gente para casa na próxima votação. E quanto menos gente vota, menor a diferença entre quem ganha e quem perde, o que abre margem para novo questionamento, nova AIJE, nova cassação, e assim vai. É a receita perfeita para transformar a política de Cachoeirinha num circo sem fim, no qual quem faz o papel de palhaço é o eleitor, que perde tempo, sai de casa, encara fila, e no fim das contas vê o resultado do seu voto sendo discutido nos tribunais por anos a fio. A cidade precisa de estabilidade para tocar obra, planejar saúde, educação e segurança, não de mais um round eleitoral.

Enquanto o TRE-RS não bate o martelo, o que fica é isso: dois pareceres, dois processos, e nenhuma decisão fechada. Compartilha essa matéria com quem também está tentando entender essa novela toda.

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