Eliana Bayer fala sobre o Hospital Estadual Padre Jeremias e a violência contra as mulheres
Por André Guterres - Info do Vale e Cachoeirinha Notícias 24 Horas
No fim da tarde desta segunda-feira (25), o presidente da Câmara de Vereadores de Cachoeirinha, Gilson Stuart, recebeu a visita da deputada estadual Eliana Bayer. Ambos integram o partido Republicanos.
A parlamentar esteve no município para participar de uma atividade partidária junto ao seu grupo de apoiadores em Cachoeirinha. A agenda contou com o apoio de Gilson Stuart e do presidente municipal do Republicanos, Nerisson Oliveira e o diretor-geral da Câmara, Gabriel Jung.
Durante a passagem pelo município, a deputada me concedeu uma rápida entrevista para tratar de assuntos que impactam diretamente a vida dos cachoeirinhenses. Entre os temas discutidos estiveram a violência contra a mulher, pauta que tem mobilizado autoridades e diferentes setores da sociedade na busca por políticas públicas de prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção, além da situação do Hospital Estadual Padre Jeremias, tema que frequentemente desperta atenção entre moradores de Cachoeirinha e região. A unidade de saúde exerce papel importante no atendimento à população.
Acompanhe a entrevista abaixo:
Info do Vale - Deputada Eliana Bayer, a senhora assumiu recentemente a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa em um momento em que o Rio Grande do Sul registra índices alarmantes de feminicídio. Quais são os principais desafios para que seja possível implementar ações concretas para fortalecer a rede de proteção às mulheres gaúchas, especialmente nos municípios do interior e da Região Metropolitana de Porto Alegre?
Eliana Bayer - Assumir a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa neste momento é uma grande responsabilidade, especialmente diante dos índices alarmantes de violência contra a mulher no Rio Grande do Sul. Sabemos que os desafios são muitos, principalmente no interior e na Região Metropolitana, onde, muitas vezes, faltam estruturas básicas para acolhimento e proteção.
Hoje, ainda enfrentamos a ausência de delegacias especializadas, casas de abrigo, equipes técnicas e orçamento específico para políticas públicas voltadas às mulheres. Além disso, os municípios dependem muito do apoio do Estado para manter serviços essenciais funcionando. Por isso, acredito que precisamos trabalhar de forma integrada, fortalecendo toda a rede de proteção: saúde, assistência social, segurança pública e Judiciário.
Mas, na prática, o maior desafio é que a mulher ainda precisa repetir sua história várias vezes até conseguir atendimento adequado. Falta continuidade no acolhimento, muitas medidas protetivas não são acompanhadas corretamente e ainda existem barreiras culturais muito fortes. Em cidades pequenas, por exemplo, muitas mulheres têm medo de denunciar porque "todo mundo se conhece". Soma-se a isso a dependência financeira do agressor e uma cultura de tolerância à violência doméstica que, infelizmente, ainda existe.
A verdade é que a violência contra a mulher no interior e nas regiões metropolitanas não é menor. Ela é proporcionalmente muito grande. O que acontece é que muitas mulheres sequer entram no sistema e, quando isso acontece, a rede de proteção não consegue chegar até elas.
Por isso, tenho buscado parcerias com os Executivos municipais para ampliar ações preventivas e estratégicas. Defendo a capacitação de agentes comunitários de saúde para identificar sinais de violência, visitas domiciliares com um olhar atento e humanizado, além de parcerias com as escolas para identificar mães em situação de risco. Também acredito muito em equipes itinerantes, com assistência social e psicólogos atuando nos bairros e nas zonas rurais. Essa estratégia tem mostrado resultados importantes no interior, especialmente porque muitas mulheres não procuram espontaneamente os canais de denúncia.
Aqui na Assembleia Legislativa, também tenho defendido, junto ao Governo do Estado, mecanismos de apoio financeiro aos municípios, como auxílio emergencial para mulheres em situação de risco, prioridade em programas sociais e encaminhamento rápido para emprego e qualificação profissional.
Costumo dizer que não existe segurança sem independência financeira. Enquanto a mulher depender economicamente do agressor, muitas vezes continuará presa ao ciclo da violência. Por isso, fortalecer a autonomia da mulher também é uma forma de proteção.
2. Hospital Estadual Padre Jeremias
Info do Vale - O Hospital Estadual Padre Jeremias, referência em saúde para Cachoeirinha e municípios vizinhos, ainda opera sem bloco cirúrgico e sem Unidade de Terapia Intensiva (UTI), obrigando pacientes em estado grave a serem transferidos para outros municípios em situações de risco. Deputada, sabemos que a senhora tem articulado diversas pautas da cidade junto ao Governo do Estado nos últimos anos. Qual é o seu compromisso com o eleitor cachoeirinhense nessa pauta tão importante?
Eliana Bayer - O Hospital Padre Jeremias é uma pauta extremamente importante para Cachoeirinha e toda a região. Estamos falando de um hospital estratégico, que atende uma grande demanda regional, mas que ainda opera sem bloco cirúrgico e sem UTI, o que, infelizmente, reduz sua capacidade de resolutividade e acaba sobrecarregando outros hospitais da Região Metropolitana.
Desde os últimos problemas orçamentários enfrentados pelo hospital, tenho atuado em três frentes principais: orçamento, articulação e fiscalização. Tenho buscado diálogo permanente com a Secretaria Estadual da Saúde, Casa Civil e Governo do Estado, por meio de reuniões oficiais, cobrando um cronograma definido e ações concretas para incluir o Hospital Padre Jeremias no planejamento estratégico da Rede de Urgência e Emergência do Estado.
Defendo que o Padre Jeremias seja reconhecido como hospital de referência regional. Sabemos que é uma luta grande e que o caminho é árduo, mas o meu compromisso com Cachoeirinha é continuar trabalhando para que o hospital avance em estrutura, capacidade de atendimento e qualidade nos serviços prestados à população.
Nosso objetivo é buscar a implantação do bloco cirúrgico e da UTI, garantindo mais autonomia ao hospital e evitando que pacientes em estado grave precisem ser transferidos para outros municípios em situações delicadas e de risco.
Também tenho buscado apoio por meio de emendas parlamentares junto a Brasília e ao Governo Federal, além da luta pelo aumento do teto SUS do hospital, garantindo repasses estaduais contínuos e a criação de incentivos permanentes para manutenção e ampliação dos serviços.
Saúde pública precisa ser tratada com prioridade e responsabilidade. O povo de Cachoeirinha merece um hospital mais estruturado, mais resolutivo e preparado para atender a população com dignidade.
3. Saúde plena em Cachoeirinha
Info do Vale - Cachoeirinha tem mais de 150 mil habitantes e quase 110 mil eleitores aptos a votar, mas o município ainda está enquadrado no regime de atenção básica em saúde, sem a elevação ao status de saúde plena. Esse cenário limita serviços e repasses do Estado a uma cidade de grande porte. Ao que parece, existe uma resistência do Governo do Estado em avançar nessa questão, possivelmente pelo aumento de investimentos que isso implicaria. Qual é a sua posição sobre esse ponto importante para os serviços de saúde de Cachoeirinha?
Eliana Bayer - Cachoeirinha já ultrapassou a marca de 150 mil habitantes e conta com quase 110 mil eleitores. Não é razoável que uma cidade desse porte siga enquadrada apenas no regime de atenção básica em saúde.
Não concordo com essa resistência em avançar para o status de saúde plena. Já me deparei com essa barreira diversas vezes e sigo trabalhando para mudar essa realidade, porque ela não se sustenta diante das necessidades da população.
Além disso, o Hospital Padre Jeremias não atende apenas Cachoeirinha. Ele já é referência para diversos municípios da região. Ou seja, estamos falando de um impacto regional, não apenas local.
O argumento de que a elevação implicaria aumento de investimentos não pode ser tratado como obstáculo. Pelo contrário, investir mais em saúde é garantir qualidade, dignidade e acesso para milhares de pessoas. É uma necessidade, não uma opção.
A Constituição Federal é clara ao estabelecer a saúde como prioridade e direito de todos. Não podemos aceitar limitações administrativas ou financeiras como justificativa para manter a população desassistida.
Seguirei firme, cobrando, articulando e trabalhando para que Cachoeirinha tenha o reconhecimento e a estrutura de saúde que sua população merece e de que toda a região precisa.

0 Comentários