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Prefeitura de Cachoeirinha atualiza Plano de Contingência após enchente de 2024 e amplia protocolos de evacuação e resgate







Prefeitura de Cachoeirinha atualiza Plano de Contingência após enchente de 2024 e amplia protocolos de evacuação e resgate

Nova versão do PLANCON incorpora dados atualizados de risco, cria cinco níveis de monitoramento, detalha rotas de fuga e abrigos e estabelece uma estrutura mais definida para atuação da Defesa Civil

Por André Guterres - Info do Vale e Cachoeirinha Notícias 24 Horas

A Prefeitura de Cachoeirinha, por meio da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Resiliência Climática (SMDCRC), elaborou a revisão do Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, o PLANCON 2.0, versão 2026. O documento atualiza o planejamento municipal para prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de eventos climáticos extremos, especialmente chuvas intensas, granizo e vendavais.

A revisão foi motivada principalmente pela experiência vivida pelo município durante a enchente histórica de 2024, pelas mudanças na estrutura administrativa da Prefeitura e pela necessidade de incorporar a nova cartografia de áreas de risco produzida pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) em 2024. Segundo o documento, o plano anterior, elaborado em 2023, continuava válido como referência, mas apresentava uma estrutura administrativa desatualizada, menor detalhamento operacional e cartografia anterior aos novos dados.

A nova versão passa a ter 333 páginas, contra a estrutura anterior, e amplia os anexos operacionais. O planejamento também passa a separar de maneira mais clara as funções de governança, coordenação, comando e execução, com participação da Defesa Civil, secretarias municipais, órgãos parceiros e concessionárias.
Cinco níveis de alerta e resposta

Uma das principais mudanças está na criação de uma escala com cinco níveis de prontidão operacional, que vai de N1, Normal, a N5, Extremo.

No N1, o município permanece em rotina de vigilância e capacitação. O N2 representa atenção diante de um cenário de risco potencial. No N3, quando há risco elevado de impacto, ocorre a preparação de frotas, rotas e abrigos.

O N4, classificado como Severo, prevê evento iminente ou em andamento, com instalação do Posto de Comando do Sistema de Comando em Operações (SCO) e possibilidade de evacuações em campo. Já o N5, Extremo, estabelece prioridade absoluta para o salvamento de vidas, podendo envolver comando unificado e solicitação de apoio externo.

O sistema também considera parâmetros como volume de chuva, rajadas de vento, saturação do solo e nível do Rio Gravataí. O documento estabelece a faixa de 4,75 metro a 5,15 metros como cota severa, enquanto níveis acima de 5,15 metros são classificados como inundação de nível extremo.

A Defesa Civil também passa a ter autonomia operacional prevista no plano para emitir alertas urgentes e determinar evacuações quando houver risco imediato, sem depender de autorização administrativa prévia.


Evacuação passa a ter planejamento específico

Outra novidade é a incorporação de um Plano de Evacuação integrado ao PLANCON. O documento considera as áreas classificadas pelo SGB/CPRM e os locais atingidos pela enchente de 2024.

A estimativa apresentada no plano é de aproximadamente 3,7 mil famílias, ou 15 mil pessoas, potencialmente expostas à elevação do Rio Gravataí e dos arroios. A retirada deve priorizar pessoas com mobilidade reduzida, idosos, crianças, gestantes, enfermos e pessoas dependentes de equipamentos médicos.

O planejamento determina que, sempre que possível, a retirada seja feita de maneira preventiva, antes que a água interrompa as rotas de fuga. Após um alerta oficial, os moradores devem se deslocar aos Pontos de Encontro, enquanto as equipes municipais concentram esforços na retirada de quem não possui condições de realizar o deslocamento por conta própria.

As rotas, entretanto, não são consideradas estruturas rígidas. O plano prevê que os trajetos possam ser alterados pelas equipes do SCO conforme bloqueios de trânsito, avanço das águas ou mudanças nas condições do terreno.

Ao todo, são previstos nove Pontos de Encontro estratégicos, distribuídos pelos bairros considerados mais vulneráveis. Alguns deles também podem funcionar como locais para abrigamento temporário imediato.


Áreas de risco recebem diagnóstico mais detalhado

O novo PLANCON utiliza dados do SGB/CPRM, registros históricos e informações municipais para atualizar o mapa de riscos de Cachoeirinha.

O documento considera quatro classificações: R1, baixo risco; R2, médio; R3, alto; e R4, muito alto risco. Entre os cenários considerados estão inundações do Rio Gravataí, alagamentos provocados por problemas de drenagem, enxurradas e processos de erosão e solapamento das margens dos arroios.

Entre os pontos destacados estão áreas do Meu Rincão, Olaria e Navegantes, que por um erro aparece como bairro Jardim do Bosque, classificadas em diferentes situações de risco. Na Navegantes, na Rua da Figueira, o documento aponta 864 pessoas expostas a enxurradas severas. Já no Jardim América, na região da Avenida Boa Viagem, são apontadas 9.612 pessoas e 2.403 imóveis expostos, caracterizando um dos principais desafios logísticos para uma eventual operação de emergência.

O plano também atualiza setores que tiveram alterações depois da enchente de 2024. Em uma das áreas próximas ao Arroio Águas Mortas, por exemplo, a desocupação realizada pela Secretaria de Habitação em fevereiro de 2025 reduziu o número de moradores considerado no planejamento de 64 para 40 pessoas.


Defesa Civil passa a trabalhar com Sistema de Comando em Operações

O Sistema de Comando em Operações (SCO) passa a ser a metodologia oficial de coordenação das respostas a desastres. A intenção é estabelecer uma cadeia de comando única e evitar que diferentes estruturas municipais atuem simultaneamente sobre as equipes de campo.

O Posto de Comando é definido como o centro oficial da direção tática da operação. Em situações locais, pode haver comando único. Em ocorrências mais complexas, envolvendo órgãos externos, poderá ser utilizado o comando unificado.

O modelo também divide as atividades em áreas como Operações, Planejamento, Logística e Administração/Finanças. Dessa forma, o plano procura estabelecer previamente quem coordena cada atividade e quais recursos podem ser mobilizados.

A nova estrutura também diferencia o papel do Comitê Municipal de Governança e Resiliência Climática do comando operacional. O comitê possui atribuições estratégicas, políticas e financeiras, mas não deve assumir o comando das equipes em campo, que permanece concentrado no SCO.


Abrigos passam a seguir protocolo específico

O PLANCON 2.0 também estabelece regras mais detalhadas para a abertura e funcionamento dos abrigos temporários.

A ativação será coordenada pela Defesa Civil, dentro do SCO, enquanto a gestão ficará sob responsabilidade da Assistência Social. O planejamento prioriza ginásios e igrejas localizados fora das áreas de risco, deixando escolas como alternativa subsidiária.

Entre os critérios estabelecidos estão 3,5 metros quadrados por pessoa, um vaso sanitário e lavatório para cada 20 pessoas e um chuveiro para cada 25 pessoas. Também está prevista triagem das famílias, atendimento de saúde e controle de medicamentos de uso contínuo.

Uma mudança que chama atenção é a inclusão dos animais domésticos no planejamento. Os abrigos deverão contar com espaço específico para os pets, sendo proibida a separação arbitrária entre o animal e seu tutor.

O documento relaciona estruturas distribuídas por bairros como Jardim Conquista, São Vicente, Parque da Matriz, Bom Princípio, Vila Monte Carlo, Meu Rincão, Parque Marechal Rondon, Granja Esperança e Fátima. O Centro de Eventos Multiuso, no bairro Fátima, aparece como estrutura pública de reserva para apoio logístico.


Município detalha recursos disponíveis

O novo plano também apresenta um inventário das capacidades que podem ser mobilizadas durante uma emergência.

Entre os equipamentos relacionados estão 10 picapes, retroescavadeira, motoniveladora, 10 caminhões e trituradores de galhos. Para operações de resgate aquático, o inventário aponta uma frota combinada de 11 embarcações, além de carretas e equipamentos de segurança.

Na área de assistência e abrigamento, aparecem 91 colchões, 112 cobertores e edredons, além de vans e micro-ônibus para transporte de famílias desabrigadas.


Voluntários também passam a integrar o planejamento

O voluntariado deixa de ser tratado apenas como uma ajuda espontânea e passa a ter regras específicas dentro do sistema municipal.

Os voluntários poderão atuar em logística, abrigos, triagem de doações, cadastro de desabrigados e áreas técnicas para as quais tenham habilitação. A participação deverá ser formalizada por termo de adesão e os voluntários ficarão subordinados à estrutura operacional do SCO durante as ações.

O plano também prevê a implantação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) prioritariamente em áreas classificadas como R3 e R4. A proposta envolve treinamento de moradores, primeiros socorros, percepção de riscos, definição comunitária de rotas de fuga e participação nos sistemas de alerta.


Simulados e atualização anual

O documento estabelece que o PLANCON não deve ser tratado como um documento estático. A previsão é de revisão geral anual antes do período de cheias e tempestades, atualização cadastral em até 30 dias quando houver mudança de telefones, veículos, recursos ou capacidade dos abrigos e revisão extraordinária após novos desastres, alterações administrativas ou identificação de novas áreas de risco.

Também estão previstos exercícios teóricos e práticos. Os simulados podem envolver desde treinamento de mesa para testar a governança até exercícios de campo, com acionamento de alarmes, instalação do Posto de Comando e abandono monitorado.


CORR: um guia rápido para quem estiver na linha de frente

Entre os instrumentos novos está o Caderno Operacional de Resposta Rápida (CORR). A proposta é transformar as diretrizes gerais do PLANCON em um material de consulta rápida para as equipes de campo e para o Posto de Comando.

O CORR reúne checklists de ações imediatas, gatilhos de níveis de risco, fluxos de abrigamento e contatos de emergência. A intenção é facilitar a consulta durante uma ocorrência, quando a velocidade de resposta pode ser determinante.

O plano também determina que cada secretaria municipal tenha seu próprio Plano de Ação Setorial, respondendo basicamente a quatro perguntas: o que fazer, quando fazer, quem fará e quais contatos utilizar. Os planos devem contemplar inclusive acionamentos durante noites, finais de semana e feriados.


Um plano construído a partir da experiência de 2024

A revisão do PLANCON representa, portanto, uma tentativa de transformar as lições deixadas pela enchente de 2024 em procedimentos previamente definidos.

O novo documento não se limita ao mapeamento das áreas sujeitas a alagamentos e inundações. Ele estabelece uma cadeia de comando, níveis de alerta, protocolos de evacuação, pontos de encontro, estruturas de abrigo, inventário de equipamentos, participação de voluntários, integração com órgãos estaduais e concessionárias e procedimentos para recuperação após o desastre.

A própria apresentação estabelece que a efetividade do plano dependerá da elaboração dos planos de ação específicos de cada secretaria e da capacitação contínua das equipes que integram o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil. A revisão ordinária está prevista para ocorrer anualmente, enquanto revisões extraordinárias deverão ser feitas após grandes desastres, mudanças administrativas ou lições identificadas em simulados.

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