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Mulher confronta suposto perseguidor em Cachoeirinha e expõe caso na internet


Reprodução do vídeo



Mulher confronta suposto perseguidor em Cachoeirinha e expõe caso na internet

Por André Guterres - Info do Vale e Cachoeirinha Notícias 24 Horas

Foi na última segunda-feira, dia 17 de agosto, que uma cena gravada dentro de uma academia conhecida de Cachoeirinha tomou as redes sociais. No vídeo, uma mulher encara de frente um homem que, segundo ela, a persegue e assedia há anos. Acompanhada de duas amigas, uma delas responsável por registrar o momento, ela decide não recuar e faz um desabafo direto encarando o denunciado.

O material foi publicado no perfil pessoal da vítima no Instagram e rapidamente ganhou repercussão na cidade. Depois da publicação, outras mulheres procuraram a autora do vídeo para relatar experiências semelhantes com a mesma pessoa, revelando um padrão que, segundo os relatos reunidos, se estende por mais de uma década.

Um histórico de anos, segundo o relato da vítima

De acordo com o relato da mulher que protagonizou o vídeo, tudo começou cerca de dez anos atrás. O homem era cliente do irmão dela e passou a insistir em fazer negócios somente com ela. Quando a situação ultrapassou os limites, ela pediu que ele parasse de mandar mensagens. Segundo conta, não havia qualquer envolvimento entre os dois, mas a recusa teria sido o suficiente para desencadear anos de perseguição.

Ela relata ter recebido comentários e mensagens com xingamentos e ameaças em suas fotos e na linha do tempo do Facebook, em uma frequência tão alta que chegavam a aparecer na página inicial da rede. Diz também ter perdido o acesso ao Instagram duas vezes, sempre pouco depois de receber mensagens anônimas com o mesmo tom de ódio, e associa as quedas de conta a denúncias feitas contra o próprio perfil dela.

Quando passou a morar sozinha, ainda perto da casa da mãe e, consequentemente, da residência do homem, os encontros na rua se tornaram mais frequentes. Entre as mensagens que ela diz ter recebido ao longo do tempo, estão trechos como estes, atribuídos por ela ao mesmo remetente:

"Tão gostosa pra merda nenhuma. Acho engraçado que quando tu passa por mim na rua fica com medinho."

"Medo dessa cara ridícula? Se acha em Cachoeirinha, se acha a gostosa."

Ao ter acesso às imagens dos prints das outras mensagens que teriam sido enviados pelo suspeito, fiquei chocado com o teor do conteúdo. E se o conteúdo já impressiona por escrito, imagine o que é para uma mulher receber esse tipo de abordagem de um estranho que parece se sentir no direito de exigir atenção só porque a considera interessante.

Se você mulher, já teve que mudar de rota, de horário ou de rotina só para evitar cruzar com alguém, sabe o peso que esse tipo de relato carrega.

Outras mulheres relatam o mesmo padrão e academia se manifesta

Depois da repercussão do vídeo, uma amiga minha também tomou coragem para relatar publicamente o próprio drama vivido com o mesmo homem. Ela conta que passou a acompanhar o perfil da vítima somente depois de ver o vídeo, alertada pelo namorado, que reconheceu no material a mesma pessoa que, cerca de dois anos antes, havia enviado a ela mensagens de ódio sem que houvesse qualquer relação ou motivo aparente entre os dois. Na época, ela bloqueou o contato e seguiu a vida, sem entender a origem da hostilidade.

Segundo ela, depois que o caso veio à tona, diversas mulheres da mesma academia e de fora dela passaram a relatar situações parecidas: assédio, perseguição, mensagens e intimidação, alguns descritos como recorrentes há anos. Ela também menciona ter recebido o relato de um homem que diz ter sido perseguido e ameaçado pelo mesmo indivíduo.

No texto, ela faz questão de reforçar que a intenção das publicações não é incitar violência nem justiça pelas próprias mãos, mas sim que o comportamento pare. Ela pondera que, se existir alguma questão de saúde envolvida, cabe acompanhamento profissional, sem que isso signifique ignorar o impacto causado nas supostas vítimas.

A academia onde o confronto foi gravado emitiu comunicado oficial. Na nota, a unidade afirma que a situação envolve alunos e fatos que, segundo os relatos apresentados, têm origem anterior à convivência entre as partes dentro do estabelecimento. Informa ainda que, após avaliar as informações disponíveis, adotou medidas administrativas, incluindo o encerramento do vínculo de um dos alunos e o bloqueio de seu acesso à rede. A academia reforça que não compactua com condutas que comprometam a segurança ou o bem-estar de alunos e colaboradores, e destaca que fatos que ultrapassem o âmbito administrativo devem ser apurados pelas autoridades competentes.

Até a publicação desta matéria, o homem apontado nos relatos não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.

A importância do registro do boletim de ocorrência

Casos como esse reforçam a importância de as mulheres registrarem boletim de ocorrência sempre que sofrerem importunação sexual, perseguição, stalking ou qualquer outro tipo de crime que coloque em risco sua integridade física ou cause abalo psicológico. O registro formal na delegacia é o que permite às autoridades reunir provas, identificar padrões de reincidência e adotar medidas protetivas quando necessário. Sem o B.O., mesmo relatos graves e recorrentes correm o risco de ficar apenas no campo do desabafo, sem força para gerar uma investigação ou responsabilização criminal.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. 

É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180 ou pelo e-mail central180@mulheres.gov.br. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do número 190.

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