Caso suspeito de Ebola no Rio Grande do Sul mobiliza autoridades de saúde e paciente será transferido para Porto Alegre
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul informou nesta quinta-feira que acompanha a investigação de um caso suspeito de doença pelo vírus Ebola. O paciente, um homem de 64 anos com histórico recente de viagem a Uganda, na África Oriental, recebeu atendimento em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo e está sendo monitorado conforme os protocolos nacionais de vigilância epidemiológica.
Paciente apresentou teste positivo para malária durante investigação
Segundo a SES, o caso foi enquadrado nos critérios epidemiológicos e clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para suspeita de Ebola. A partir dessa classificação, foram imediatamente adotadas medidas de biossegurança, monitoramento e investigação.
Durante a avaliação médica, o paciente realizou um teste rápido para malária, que apresentou resultado positivo para Plasmodium falciparum, considerada uma das formas mais graves da doença. O tratamento específico foi iniciado de forma imediata.
Apesar da confirmação da malária, a investigação para Ebola permanece em andamento. A Secretaria Estadual da Saúde esclareceu que apenas os exames laboratoriais realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório nacional de referência para esse tipo de diagnóstico, poderão descartar definitivamente a suspeita.
Em razão dos protocolos clínicos específicos para casos suspeitos de Ebola, o paciente será transferido para o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, referência estadual para esse tipo de atendimento. Na unidade, ele receberá acompanhamento especializado e terá novas amostras coletadas para análise.
Caso os exames confirmem a presença do vírus Ebola, existe previsão de transferência para um hospital de referência nacional especializado no tratamento da doença.
A SES informou ainda que o caso foi comunicado imediatamente ao Ministério da Saúde e que todas as ações estão sendo conduzidas em conjunto com autoridades municipais, estaduais e federais. Paralelamente, equipes de vigilância em saúde iniciaram o rastreamento das pessoas que tiveram contato com o paciente.
Os contactantes serão acompanhados por um período de 30 dias, permitindo a identificação precoce de possíveis sintomas. Além disso, os serviços de saúde envolvidos receberam orientações específicas sobre prevenção, controle de infecções e medidas de biossegurança.
O que é o Ebola e como ocorre a transmissão
O vírus Ebola foi identificado pela primeira vez durante surtos registrados em 1976 na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul. Um dos focos da doença ocorreu em uma comunidade próxima ao rio Ebola, origem do nome que passou a identificar a enfermidade.
Considerada uma doença febril grave, o Ebola apresenta alta taxa de letalidade. Conforme registros internacionais, a mortalidade pode variar entre 25% e 90%, dependendo das condições do surto, do acesso ao tratamento e da rapidez no atendimento dos pacientes.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, tecidos ou fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas. Objetos e superfícies contaminados, como roupas e utensílios, também podem servir como fonte de contágio.
Especialistas ressaltam que uma pessoa somente transmite o vírus após o aparecimento dos sintomas. Diferentemente de doenças respiratórias como covid-19 e influenza, o Ebola não é transmitido pelo ar, característica que reduz significativamente seu potencial de disseminação.
Segundo o Ministério da Saúde, a circulação do vírus entre seres humanos tem origem no contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados. Os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são considerados os reservatórios naturais mais prováveis do vírus.
Por não apresentar transmissão aérea e depender de contato direto com fluidos contaminados, o risco de propagação internacional em larga escala e de uma pandemia é considerado baixo pelas autoridades sanitárias.
Os sintomas podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção. Entre os sinais iniciais mais comuns estão febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta.

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