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OPINIÃO: Por que Jussara chega como favorita na eleição suplementar de Cachoeirinha





Por que Jussara chega como favorita na eleição suplementar de Cachoeirinha

Por André Guterres - Info do Vale

Analisar política com honestidade nunca foi uma tarefa simples, especialmente em tempos atuais onde a polarização, paixões eleitorais e leituras contaminadas por preferências ideológicas são uma constante. Ainda assim, depois de acompanhar as recentes análises publicadas pelos jornalistas Roque Lopes e Rafael Martinelli sobre a eleição suplementar de Cachoeirinha, considero necessário dedicar alguns minutos escrevendo minha opinião sobre o atual cenário político da cidade.

Participo de movimentos políticos desde a infância e acompanhei, de perto, todas as campanhas eleitorais de 1990 até hoje. Por ter opinião própria e não ter medo de dizer o que eu penso, isso me fez uma figura não tão querida para grande parte dos políticos locais. O fato de dizer o que penso, e não o que eles gostariam de ouvir, pode custar caro na política, e custou muitas vezes, mas eu prefiro seguir desse jeito.

A verdade é que uma das maiores dificuldades de qualquer governo é aceitar o confronto com a realidade. Em muitos casos, prefeitos, vereadores e lideranças políticas acabam cercados por figuras que apenas reforçam certezas, escondem problemas e vendem uma percepção artificial de estabilidade. São os famosos "papagaios de pirata", personagens comuns nos bastidores do poder. E quase sempre, para não dizer sempre, são perigosos, pois distanciam os políticos das reais necessidades do povo.

Aprendi cedo que o maior risco de um mandato não está apenas na oposição externa, mas principalmente no isolamento interno. Quando quem governa para de ouvir o contraditório, começa também a se afastar da rua, da comunidade e dos problemas reais da cidade.
Jussara apostou na experiência e na articulação política

Faço esse preâmbulo para deixar algo claro: não sou figura de devoção da prefeita interina Jussara Caçapava. Há ruídos antigos entre os bastidores da política local que geraram um distanciamento natural (inclusive com ela me criticando em transmissão ao vivo da Câmara de Vereadores). Ainda assim, uma análise honesta da situação de Cachoeirinha exige separar questões pessoais dos fatos.

E, olhando friamente para o cenário atual, há um mérito político que precisa ser reconhecido: Jussara fez algo que poucos gestores têm coragem de fazer. Em vez de se fechar em um grupo restrito ou numa bolha de confiança, buscou apoio em nomes experientes da política local e regional, valorizando articulação, leitura de cenário e construção de alianças.

Um dos exemplos mais visíveis disso é a presença do vereador gravataiense Cláudio Ávila em sua articulação política. Ávila é conhecido por posições firmes, perfil combativo e, por vezes, polêmico. Em muitos grupos, sua presença poderia ser vista como um risco de disputa por protagonismo, até porque Ávila é conhecido por ser um "pavão" em busca de destaque. Mas o que se percebe até aqui é justamente o contrário: uma atuação de bastidor, focada em articulação e fortalecimento da candidatura de Jussara, sem competição por holofotes. Isso demonstra maturidade política de ambos os lados.

Outro eixo importante da construção política da campanha e da gestão está na atuação de seus filhos, Ildo Júnior e Paulo César, o Teté. Ambos vêm exercendo papel estratégico na escuta de lideranças comunitárias, empresários, servidores públicos e representantes de diferentes setores da cidade. E há um detalhe importante nisso: ouvir continua sendo uma virtude rara na política.

Mais do que movimentar peças partidárias, a campanha de Jussara parece ter compreendido algo básico, mas muitas vezes ignorado: a população está menos interessada em discursos grandiosos e mais preocupada com quem consegue resolver problemas concretos.

Também chama atenção a disposição do grupo em observar boas práticas de outros lugares, sem vaidade política. Copiar o que funciona não é demérito. Ao contrário, é sinal de humildade administrativa. E esse tipo de postura ajuda a explicar a robustez da aliança construída até aqui: nove partidos e apoio de 13 dos 17 vereadores da Câmara, incluindo o respaldo do MDB e de quatro dos seus cinco parlamentares.


A gestão deu sinais práticos e isso pesa na eleição

Em qualquer eleição, discurso tem valor. Mas entrega concreta pesa mais. E, no caso de Cachoeirinha, há um ponto muito visível para a população: a limpeza urbana.

Há um fato concreto que não pode ser ignorado em qualquer análise honesta desta eleição: a limpeza urbana. Não entro no mérito sobre se foi certo ou não o afastamento da gestão anterior. Mas o fato é inegável: a gestão passada enfrentava obstáculos legais e resistências de setores internos da própria prefeitura que impediam a ampliação das equipes de limpeza, roça e capina. O corpo técnico sempre apresentava um empecilho para inviabilizar a contratação.

Jussara em menos de dois meses não só ampliou as equipes, como contratou serviço de roçadeira e varrição mecanizada para agilizar a limpeza da cidade, tudo dentro da legalidade e com aval do Tribunal de Contas. Então cabe a pergunta: como os mesmos entraves técnicos que impediam uma gestão de agir desapareceram na seguinte? A resposta mais plausível talvez não esteja apenas na burocracia, mas na forma como cada governo se cerca. Um mandatário precisa de gente que procure caminhos legais para fazer a máquina andar, e não apenas de quem se especializa em explicar por que nada pode ser feito. O prejuízo da inércia nunca recai sobre o burocrata que assina o parecer. Recai sobre a população, que convive com a cidade parada.

Outro fator que também pesa politicamente é a presença física da prefeita interina nos equipamentos públicos e nas comunidades antes das restrições do período eleitoral, Jussara buscou manter contato direto coma população em postos de saúde, CRAS, escolas e reuniões com moradores. Alguém pode discordar de sua linha política, de sua trajetória ou até de seu grupo, mas é difícil negar que ela demonstra disposição para estar onde os problemas acontecem e ouvir as reclamações da população.

E esse tipo de comportamento, em qualquer eleição, vale muito.


A matemática eleitoral favorece Jussara

Se a política é feita de percepção, também é feita de cálculo. E a matemática das eleições suplementares em Cachoeirinha oferece sinais importantes.

A cidade já mostrou, em pleitos anteriores, que candidaturas com maior apoio partidário, apoio de vereadores e presença territorial entram em vantagem. Foi assim em vitórias passadas como as de Miki Breier e Cristian Wasem, ambos sustentados por bases políticas amplas e musculatura de campanha.

Nesse sentido, o cenário atual favorece claramente Jussara. Com 13 vereadores ao seu lado e nove partidos na coligação, ela entra na reta final com uma estrutura eleitoral superior à dos adversários.

Isso não significa eleição definida. Claudine, Tairone e Laís seguem no jogo e, matematicamente, têm chances reais de vitória. Eleição só termina quando a urna fecha. Mas, olhando com objetividade para o desenho político de hoje, o favoritismo de Jussara parece evidente.

O eleitor de Cachoeirinha também chega a este pleito carregando um cansaço coletivo. Nos últimos anos, a cidade conviveu com uma sequência de instabilidades políticas e administrativas que impactaram diretamente o cotidiano da população, a imagem institucional do município e a confiança de setores econômicos.

Cachoeirinha precisa voltar a respirar estabilidade. Precisa reencontrar um ambiente de previsibilidade, normalidade institucional e foco em gestão. O momento exige menos guerra permanente e mais maturidade política.

Na minha avaliação, Jussara Caçapava é hoje a candidata com maior probabilidade de vencer a eleição suplementar de 12 de abril. Não por ser perfeita, nem por estar imune a críticas, mas porque demonstra, até aqui, algo que pesa muito numa cidade cansada de turbulência: capacidade de articulação, disposição para ouvir e foco em resolver problemas concretos.

E, no fim das contas, é isso que a maioria da população quer. Menos discurso. Mais solução.

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