Mistério em Cachoeirinha: desaparecimento da família Aguiar completa dois meses e polícia aponta feminicídio e duplo homicídio
Por André Guterres - Info do Vale e Cachoeirinha Notícias 24 Horas
O caso que intriga moradores de Cachoeirinha e mobiliza autoridades da Região Metropolitana chega a dois meses sem respostas definitivas. O desaparecimento de três integrantes da família Aguiar, registrado entre os dias 24 e 25 de janeiro, é tratado pela Polícia Civil como feminicídio e duplo homicídio, com ocultação de cadáveres. As investigações estão na fase final, enquanto buscas seguem em diferentes áreas.
Investigação avança com novas provas e suspeito segue preso
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, desapareceu no dia 24 de janeiro. No dia seguinte, os pais dela, Isail Aguiar, de 69 anos, e Dalmira Aguiar, de 70, também sumiram. Desde então, casas permanecem fechadas, o Mercado Aguiar não reabriu e familiares convivem com a ausência e a falta de respostas.
O principal suspeito é o policial militar e ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, de 39 anos, preso temporariamente desde 10 de fevereiro. Ele nega participação no crime.
A Polícia Civil afirma ter reunido uma série de indícios que sustentam a linha investigativa. Um dos pontos considerados decisivos é o rastreamento do celular de Silvana, que teria sido levado pelo suspeito ao trabalho em Canoas dias após o desaparecimento, conforme laudo pericial.
Além disso, o aparelho foi localizado posteriormente em uma área rural de Gravataí e, dias depois, encontrado escondido sob uma pedra, após denúncia anônima.
O delegado responsável pelo caso, Anderson Spier, afirma que o álibi apresentado pelo suspeito foi descartado. A investigação aponta inconsistências nos horários informados e ausência de comprovação sobre seus deslocamentos nos momentos considerados críticos.
Outro elemento analisado envolve a movimentação de veículos na noite do desaparecimento, registrada por câmeras de segurança. Apesar disso, a polícia ressalta que ainda não foi possível identificar os responsáveis pelos automóveis.
A motivação do crime, segundo a linha investigativa, estaria ligada a conflitos entre o ex-casal envolvendo a criação do filho de 9 anos, além de possíveis questões patrimoniais. A vítima teria buscado o Conselho Tutelar semanas antes do desaparecimento e planejava acionar a Justiça para discutir guarda e outras medidas.
As contas bancárias das vítimas não apresentaram movimentações desde o sumiço, o que reforça a hipótese de morte. A polícia aguarda ainda resultados de quebras de sigilo para complementar o inquérito, que deve ser concluído nas próximas semanas, junto com o pedido de prisão preventiva do suspeito.
Linha do tempo revela contradições e intensifica suspeitas
Os dias que antecederam o desaparecimento são considerados fundamentais para a investigação. No início de janeiro, Silvana procurou o Conselho Tutelar relatando problemas com o ex-marido em relação aos cuidados com o filho.
Na noite de 24 de janeiro, quando foi vista pela última vez, uma publicação em suas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado. A perícia, no entanto, confirmou que isso nunca ocorreu, indicando tentativa de despistar o desaparecimento.
Imagens mostram movimentações incomuns de veículos na residência da vítima naquela noite. No dia seguinte, os pais de Silvana saíram para procurá-la, passaram por uma delegacia fechada e, conforme a investigação, teriam ido até a casa do ex-genro antes de desaparecerem horas depois.
Nos dias seguintes, surgiram novos elementos, como vestígios de sangue na casa de Silvana, um projétil encontrado na residência dos pais e áudios em que o suspeito teria tentado interferir na apuração.
A prisão temporária ocorreu em 10 de fevereiro, após quebra de sigilo telefônico indicar movimentações consideradas suspeitas. Desde então, o policial permanece detido em Porto Alegre.
Buscas com cães farejadores seguem sendo realizadas em áreas de mata e regiões rurais da Grande Porto Alegre, mas até o momento nenhum corpo foi localizado.
A principal linha da Polícia Civil sustenta que Silvana foi vítima de feminicídio, enquanto os pais teriam sido assassinados posteriormente, possivelmente ao tentarem intervir ou buscar informações.
Dois meses após o desaparecimento da família Aguiar, o caso segue cercado de mistério, dor e expectativa por respostas. Com o inquérito próximo do fim, a Polícia Civil aposta no conjunto de provas reunidas para esclarecer o que aconteceu e responsabilizar o suspeito.
A ausência de desfecho concreto, no entanto, ainda deixa uma pergunta no ar: o que realmente aconteceu naqueles dois dias que mudaram a história de uma família em Cachoeirinha?

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