CACHOEIRINHA: Bolsonarista vira vice em chapa de partido da base de Lula na eleição suplementar para prefeito
A política de Cachoeirinha ganhou um novo capítulo que mistura estratégia eleitoral, pragmatismo e um inevitável embate ideológico. O vereador Mano do Parque, que até poucos dias era pré-candidato a prefeito na eleição suplementar marcada para 12 de abril, desistiu da cabeça de chapa para assumir o posto de pré-candidato a vice-prefeito ao lado da prefeita interina Jussara Caçapava, do Avante, partido que integra de forma ativa a base de apoio do Governo Lula.
A decisão, oficializada nas redes sociais do vereador no dia 7 de fevereiro, não é apenas uma mudança de posição na urna. Trata-se de um movimento político que expõe uma inflexão dentro do próprio campo ideológico que ele sempre representou.
Entre o discurso ideológico e o pragmatismo eleitoral
Mano do Parque construiu sua imagem pública como bolsonarista declarado, eleito pelo Partido Liberal, legenda que, nacionalmente, se posiciona como principal força de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O verde e amarelo são marcas recorrentes de sua identidade visual e de seu discurso político.
Ao aceitar compor com o Avante, partido alinhado à base governista federal, o vereador opta por uma estratégia que coloca sua coerência ideológica sob questionamento por parte dos eleitores de direita na cidade.
Na prática, alianças municipais muitas vezes seguem lógica própria, distante das disputas nacionais. No entanto, em um cenário político altamente polarizado, essa distinção nem sempre é compreendida ou aceita pelo eleitorado. Os comentários nas redes sociais já indicam incômodo entre parte de seus apoiadores, que enxergam a movimentação como contradição.
Teste de fidelidade do eleitorado de direita
Antes mesmo da oficialização da nova composição, já era perceptível o espaço que o vereador vinha ocupando em eventos promovidos pela prefeitura, além de ter aceitado ser o líder do governo na Câmara de Vereadores. O destaque nos atos públicos e nas publicações institucionais sinalizava uma aproximação que agora se concretiza.
O grande ponto de interrogação está no comportamento do eleitorado identificado com a direita em Cachoeirinha. Haverá compreensão de que se trata de uma estratégia local, desvinculada do cenário nacional, ou a aliança será vista como uma concessão inaceitável?
A política municipal exige diálogo e construção de maioria, mas também cobra coerência de posicionamento. Em tempos de redes sociais atentas e militância digital ativa, cada movimento é amplificado e rapidamente julgado.
No fim das contas, o eleitor terá a palavra final. Resta saber se o capital político do vereador resistirá ao choque entre o discurso e a atual aliança.
Por André Guterres - Info do Vale
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