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| Imagem: reprodução TV Câmara |
A Câmara de Vereadores de Cachoeirinha cassou, por 14 votos a 3, os mandatos do prefeito Cristian Wasem e do vice-prefeito, delegado João Paulo Martins, em uma sessão marcada por atraso, longa duração e forte embate político. A decisão foi tomada mesmo sem a existência de denúncias de desvio de recursos públicos e sem condenações por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) ou da Justiça. Os vereadores que votaram contra a cassação foram Gustavo Almansa, Cleo do Onze e Uilson Droppa.
A sessão, inicialmente prevista para iniciar às 10h, começou com 39 minutos de atraso e se estendeu ao longo de todo o dia, com a votação final ocorrendo por volta das 23h30. Durante os trabalhos, vereadores tiveram acesso a vídeos com depoimentos de servidores concursados, que afirmaram não haver ilegalidades nos atos administrativos questionados no processo.
Com a decisão, a presidente da Câmara, Jussara Caçapava, assume o Executivo cachoeirinhense temporariamente até que sejam realizadas novas eleições.
Contratações emergenciais e questionamentos administrativos
Um dos principais pontos que embasaram a cassação foi a contratação emergencial de uma empresa para a prestação de serviços de limpeza nas unidades de saúde do município. Conforme os esclarecimentos técnicos apresentados, a medida ocorreu após a empresa então responsável pelo serviço comunicar formalmente que não renovaria o contrato com a Prefeitura.
Diante da situação, a administração municipal realizou uma contratação emergencial enquanto um novo processo licitatório estava em andamento. Essa licitação acabou sendo suspensa devido a uma falha de procedimento, sem qualquer ingerência direta dos gestores. Ainda assim, segundo dados apresentados durante a sessão, o contrato emergencial firmado teve custo inferior a 3% em relação ao valor obtido posteriormente por meio de pregão eletrônico, o que, de acordo com a gestão, demonstra eficiência do setor de compras, que realizou ampla pesquisa de mercado.
Outro ponto central do processo foi o parcelamento das dívidas do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (IPREC). Apesar de os próprios vereadores terem aprovado em plenário todos os relatórios apresentados pela entidade e também terem votado favoravelmente ao parcelamento da dívida, o tema voltou a ser utilizado como fundamento para a cassação.
De acordo com o presidente do IPREC, Marcos Monteiro, cerca de 90% da dívida repactuada não é oriunda da gestão Cristian Wasem, que assumiu o governo municipal com pagamentos atrasados. Mesmo após o saneamento financeiro do instituto, que hoje alcançou a quinta maior carteira de investimentos entre os institutos de previdência municipal do Rio Grande do Sul, os vereadores apontaram falhas nos parcelamentos que haviam sido analisados e aprovados anteriormente pelo próprio Legislativo.
Prefeito classifica decisão como ataque à democracia
Após a votação, o prefeito Cristian Wasem divulgou nota pública afirmando que ele e o vice-prefeito foram eleitos democraticamente com 71,86% dos votos válidos, totalizando 47.364 votos, o que, segundo ele, confere legitimidade para governar toda a população de Cachoeirinha.
Na manifestação, Cristian afirmou que o processo de cassação não se sustenta em fatos, provas ou tipificação legal, destacando que o próprio relatório final da Comissão Processante reconhece a inexistência de crime. Para o prefeito, trata-se de uma manobra política destinada a desconsiderar a vontade popular e permitir a troca de comando no Executivo sem eleição e sem respaldo democrático.
O prefeito também ressaltou que sua gestão foi marcada por conduta ética, transparente e responsável, com entrega de obras, serviços e resultados concretos, além do resgate da credibilidade financeira e institucional do município. Segundo ele, o rompimento com práticas antigas e com interesses estabelecidos ajuda a explicar o desfecho político do processo.
Ao final da nota, Cristian Wasem afirmou que o mandato pertence ao povo de Cachoeirinha e que a história registrará quem respeitou e quem violou a escolha soberana da população.

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