Onda de assaltos e arrombamentos na proximidade do Cesuca gera pânico
A região do bairro Jardim Colinas, em Cachoeirinha, próxima ao Centro Universitário Cesuca, enfrenta uma onda de crimes que tem causado medo em moradores, estudantes e comerciantes. Em menos de uma semana, um mesmo comércio foi alvo de assalto e arrombamento, além de tentativas de ataque contra alunos da instituição.
Comércio é atacado duas vezes em menos de uma semana
Na semana passada ocorreu um assalto em um comércio localizado no bairro. A Brigada Militar foi acionada e rapidamente atendeu a ocorrência, mas as buscas na região não obtiveram sucesso em localizar o criminoso.
Ele foi descrito pelas vítimas como um homem branco, cerca de 60 anos, cabelos brancos, barba por fazer, dentes amarelados, óculos dourados e boné vermelho. No dia do crime, usava jaqueta verde militar e calça jeans.
Na madrugada da quarta-feira seguinte (10), o mesmo local voltou a ser alvo de criminosos, que arrombaram o estabelecimento e cometeram o furto de itens.
E esse não é o único ataque ao comércio da região, outro estabelecimento foi assaltado por duas vezes em poucos dias.
Alunos também foram alvo da violência
Além do comércio, estudantes do Cesuca também têm sofrido com a criminalidade. Na sexta-feira (5), um homem com as mesmas características do assalto anterior tentou atacar três alunos que seguiam para o carro na saída das aulas no turno da noite. Um deles reagiu e empurrou o criminoso, que fugiu.
Casos de furtos em veículos também têm sido registrados na região. Recentemente, um estudante teve as rodas da camionete levadas enquanto o carro estava estacionado nos fundos da faculdade, na rua Fermino Corrêa da Gama.
Com a chegada do curso de Medicina no Cesuca, comerciantes, pais e moradores temem que o aumento de alunos com maior poder aquisitivo atraia ainda mais criminosos para a região.
Um pai que preferiu não se identificar relatou a ousadia dos assaltantes: “Estamos a menos de 500 metros do quartel da Brigada Militar e eles não estão nem aí”, desabafou o homem, que todos os dias leva a filha para estudar.
Moradores de rua, áreas de risco e comércios de sucata ampliam insegurança
Durante o dia, não é incomum ver grupos de 10 a 40 moradores de rua reunidos nas proximidades do albergue municipal, situado na rua Silvério Manoel da Silva, que cruza a avenida Caí. O consumo de bebidas alcoólicas e drogas é frequente entre eles.
Conforme relatos, muitos usuários de drogas e pessoas em situação de rua se refugiam em áreas de vegetação próximas às antenas de alta tensão para consumir entorpecentes, queimar fios furtados e extrair metais. Esses terrenos ficam perto do albergue municipal, ao lado do prédio da Justiça do Trabalho. A limpeza é de responsabilidade da concessionária de energia elétrica, mas a prefeitura enfrenta dificuldades em cobrar a manutenção regular da empresa, o que, segundo moradores e alunos, agrava a sensação de insegurança.
A comunidade também aponta a alta concentração de comércios irregulares de sucata em bairros residenciais próximos. Segundo especialistas em segurança, esses locais estimulam a prática de furtos e delitos, já que oferecem dinheiro rápido em troca de metais, muitas vezes aceitando produtos furtados de usuários de drogas ou moradores de rua. Mesmo com fiscalização, diversos estabelecimentos funcionam sem registro, migrando rapidamente de lugar ao serem autuados.
Uma das alternativas estudadas pelo poder público é a revisão do Plano Diretor para restringir esse tipo de comércio a zonas específicas e mais afastadas das áreas residenciais. Outra possibilidade seria uma ação mais radical, como a proibição desse tipo de atividade no município, medida semelhante à proposta já apresentada em Porto Alegre, com apoio do prefeito Sebastião Melo.
A prefeitura de Cachoeirinha também avalia a adoção de contêineres de lixo do tipo boca de lobo, já utilizados em Porto Alegre, para reduzir a ação de pessoas que reviram os contêineres tradicionais em busca de recicláveis, prática que gera sujeira e transtornos à população. Com esse modelo, os materiais coletados são destinados diretamente a cooperativas de catadores.
Moradores e comerciantes também organizam um abaixo-assinado on-line para cobrar a transferência do albergue para outro local.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima
A população pode ajudar a identificar o suspeito e combater irregularidades na região. Denúncias sobre o assaltante ou outros delitos podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181, pelo WhatsApp/Telegram (51) 98444-0606 ou pelo site da instituição.
Já denúncias contra comércios ilegais de sucata podem ser registradas junto à Ouvidoria da Prefeitura de Cachoeirinha, inclusive de forma anônima, pelo número (51) 99379-4149.

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